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Outonos de Ninguém

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Capa do livro

Uma novela melancólica em tom de silêncio

Epígrafe

"Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes."

- Machado de Assis

Sinopse

Em Outonos de Ninguém, o leitor é conduzido pela voz de um narrador recluso e mordaz que, à margem da vida, observa o passar do tempo com ironia, melancolia e uma lucidez incômoda. Encerrado em uma casa tão imóvel quanto sua alma, ele conversa com o leitor sobre ausências, silêncios, memórias e o vazio que se instalou desde os treze outonos.

Com ecos do estilo de Machado de Assis - e flertando com o lirismo amargo de Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas -, esta novela é uma carta deixada por alguém que desistiu de ser notado, mas não de compreender.

Entre capítulos curtos, humor sarcástico e uma solidão que chega a ser elegante, o livro transforma a banalidade dos dias em poesia mórbida e beleza resignada.

E, ao final, quando até mesmo o Natal ameaça tocar o coração do narrador, resta ao leitor perguntar:

será que ele apodreceu em silêncio... ou apenas escreveu o que ninguém teve coragem de dizer?

Prefácio – Por que ler um morto-vivo?

Há livros que gritam; outros murmuram. Este escreve com o dedo embaçado no vidro da janela - e depois apaga.


Outonos de Ninguém não é uma história com começo, meio e fim - é uma existência que se esvazia com dignidade. Seu narrador não pede carinho, tampouco redenção. O que ele oferece é um espelho: deformado, mas sincero.

O que mais impressiona nesta obra é sua fidelidade a uma linhagem literária: a do narrador cético, que fala consigo mesmo e com o leitor como quem joga xadrez sem adversário. A casa, o peixe, a vizinha, a Capitulina que talvez nunca existiu - tudo é símbolo, mas também é real, como as pequenas coisas que compõem o nosso tédio cotidiano.

Se você procura sentido, talvez este livro não seja para você.

Mas se procura a lucidez de quem já desistiu de fingir alegria - bem-vindo.

Esta casa é sua.

E o eco... é seu também.

Outonos de Ninguém

Capítulo I – Os Treze Outonos

Então passam as horas. Passam. Sem escândalo, sem fanfarra, sem telegrama de despedida. Apenas se vão, com aquela elegância silenciosa das coisas que sabem que são inevitáveis.

As estações, por sua vez, trocam de roupa diante de mim como senhoras entediadas, certas de que não há mais ninguém para olhá-las. E talvez não haja. Desde os meus treze outonos - sim, contei bem - não há aplauso, nem espanto, nem perfume que me desperte a mínima reação. Os ventos de outono, coitados, ainda tentam soprar memórias - mas já perderam força, e as brisas vividas, aquelas que um dia me pareceram ternas, hoje se parecem mais com o bafo morno de um cão cansado.

Dizem que o tempo cura. Grande tolice. O tempo não cura, o tempo arquiva. Empilha lembranças como quem empilha jornais velhos - para depois jogá-los fora sem reler. E eu, que fui leitor ávido da vida, sou hoje apenas a orelha da capa: sem conteúdo e à espera do pó.

Cada minuto, agora, me escapa aos tostões - tostões, veja bem, porque o tempo já não me paga nem em moedas inteiras. O valor da existência caiu no mercado, e eu não sou cotado nem como curiosidade. O vazio, este fiel companheiro, não me deixa desde os treze. Chegou sem convite e ficou. E como todo hóspede abusado, foi tomando os cômodos, os móveis, as ideias. Hoje mora em mim com toda liberdade - até minha alma ele arrendou.

Já não percebo as coisas ao passar. A primavera me ignora, o verão me aborrece, o inverno não me comove. Tudo passa, sim, mas não me toca. E quando alguém ousa dizer que "é preciso viver o presente", eu sorrio com os olhos - e enterro o presente junto ao passado. Porque o presente, meu caro leitor, é só o passado esperando ser esquecido.

Ah, se ao menos o esquecimento viesse com anestesia...

Mas não. Vem só com silêncio.

Capítulo II – A Casa de Ninguém

A casa é grande, mas não por vaidade - por vingança. Mandei construir cada parede como se fosse um argumento contra a presença humana. Espaçosa, fria, e com eco. Gosto do eco. Ele me responde quando falo, e raramente discorda.

As janelas são altas, e os móveis pesados, herdados de gente que também já não interessa nem à própria genealogia. Há um relógio parado na sala, que se recusa a continuar marcando a passagem do tempo - talvez por solidariedade. Às vezes penso em dar-lhe corda, mas temo que, ao voltar a funcionar, denuncie com precisão matemática o quanto venho desperdiçando.

Tenho quadros tortos, cortinas limpas demais e livros que já li duas vezes só para não olhar pela janela. A biblioteca, aliás, é a única parte da casa que ainda me respeita. Os livros não pedem nada. Não esperam telefonemas, visitas, aniversários. Ao contrário de certas pessoas.

Na cozinha, há panelas que nunca cozinharam nada significativo. A louça permanece intacta, como virgens juradas à inutilidade. O fogão - este mártir moderno - serve apenas para esquentar café requentado e solidão engarrafada. De vez em quando, aqueço algo apenas para escutar o crepitar - que é como o coração da casa tentando lembrar que já teve pulsação.

Meus vizinhos falam de reformas, de filhos, de casamentos e de cães com nome de gente. Eu falo pouco. O suficiente para que pensem que sou surdo, louco, ou viúvo de um amor que nunca existiu. O que, convenhamos, é uma biografia perfeitamente aceitável.

No quarto, o lençol me espera. Dorme antes de mim. A cama já cedeu no centro, como a coluna da minha alma. O travesseiro, testemunha fiel da insônia, carrega marcas de lágrimas que nunca chorei - porque chorar é para quem ainda espera consolo.

Certa vez, pensei em alugar a casa. Mas quem, em sã consciência, aluga um mausoléu sem

defunto? E, no entanto, eis-me aqui: vivo por convenção, habitando um túmulo com telhado, e recebendo o sol como se fosse penumbra de cortesia.

Já não sei se moro na casa

ou se a casa mora em mim.

Capítulo III – Dona Emília e o Velho Peixe Morto

Dona Emília é minha vizinha. Mas chamo de vizinha mais por convenção geográfica do que por afinidade. Está a duas casas da minha, mas sua voz percorre cinco com a mesma desenvoltura de um boato. É viúva de um marido que, dizem, morreu por excesso de zelo doméstico: tentou consertar o telhado e caiu da escada. Desde então, Dona Emília cultiva plantas artificiais na varanda e verdades parciais na língua.

Toda manhã, rega os hibiscos de plástico com esmero, talvez esperando que, um dia, algum deles brote por teimosia. A mim, sorri como se eu fosse um espantalho - algo digno de desconfiança e pena. Disse uma vez que eu devia casar, que "um homem sozinho apodrece por dentro". Agradeci o conselho e acrescentei que há frutas que não estragam porque já nascem passadas.

Dona Emília tem um cachorro chamado Napoleão. Um vira-lata pequeno, nervoso, e que urina em tudo com a autoridade dos imperadores. O cão parece odiar-me - como, aliás, boa parte das crianças, dos animais e das ideias otimistas.

Foi ela quem me deu o peixe. O tal peixe morto.

Um presente, disse, para "animar o ambiente".

Era um peixe dourado, já falecido, conservado em formol, dentro de um pequeno globo de vidro. Dizia ter pertencido a seu filho, falecido ainda menino, cujo nome ela não menciona e cuja ausência é a única coisa realmente viva em sua casa. Aceitei o peixe por educação e o coloquei sobre a estante, entre um volume de Pascal e um retrato de ninguém.

Durante dias, olhei para aquele cadáver suspenso em formol como quem consulta um oráculo. Um peixe, morto, doado por uma mulher meio viva, a um homem meio morto. Se isso não é literatura, não sei o que é.

Descobri, sem querer, que o peixe tem nome: Cristóvão.

Desde então, chamo-o de "meu companheiro de aquário seco". À noite, trocamos olhares. Ele, de vidro. Eu, de dentro. E ficamos ali, dois seres flutuando num mesmo mundo imóvel.

Dona Emília continua vindo - às vezes com bolo, às vezes com palavras -, mas nunca com silêncio. Fala sobre o tempo, sobre os programas de auditório, sobre as injustiças da vida. Eu escuto como quem lê uma bula de remédio vencido: por obrigação, sem fé.

Certa vez, disse que sentia pena de mim. Eu disse que era recíproco.

Desde então, sorri menos.

Capítulo IV – O Silêncio de Capitulina

Chamava-se Capitulina.

Ou talvez não se chamasse assim - mas deixemos o nome como está, que já se acostumou à boca e à mágoa. Há nomes que sobrevivem às pessoas; este, pelo menos, sobreviveu à certeza de sua existência.

Conheci-a na juventude, quando ainda fazia planos e achava que o tempo era um campo que se lavrava, não uma estrada que se atravessa esperando cair num buraco. Ela surgiu como surgem as promessas: bela, imprecisa, e fadada à dívida.

Capitulina tinha olhos que não se decidiam entre a ternura e a zombaria. E eu, como todo homem que já amou com o fígado, achei que fosse charme. Mais tarde descobri que era juízo.

Conversávamos pouco. Ela dizia que eu falava demais. Talvez dissesse isso só para falar algo. A verdade é que Capitulina parecia viver num mundo paralelo ao meu, onde as palavras não tinham a mesma densidade - e, ainda assim, ela pesava mais que todas as frases que me restaram.

Nos víamos às escondidas, mesmo quando em público. Nossa intimidade era feita de omissões bem ensaiadas e olhares que se recusavam a ser diretos. Havia uma beleza doente nisso tudo, como flor que murcha antes de desabrochar. Mas, à época, me parecia poesia. Depois percebi que era só alergia emocional.

Não houve rompimento formal. Capitulina simplesmente desapareceu. Não como quem foge, mas como quem esgota. E eu, que esperava tempestade, recebi apenas o silêncio - o mesmo silêncio que hoje me cerca quando tento lembrar se ela de fato existiu.

Às vezes acho que a inventei. Que juntei pedaços de outras mulheres e costurei com o fio

da minha carência um ser ideal - ou, ao menos, aceitável. E, como todo ideal, ela foi embora assim que a realidade chegou.

Ainda guardo um lenço que pode ou não ter sido dela. É branco, sem marca, sem perfume. Mas serve bem ao seu propósito: limpar os traços da dúvida.

Já pensei em queimá-lo. Mas temo que, ao fazê-lo, apague o que resta de mim.

Capitulina - nome inventado, lembrança incerta, presença ausente.

O amor é, talvez, isso: uma ficção que doeu como fato.

Capítulo V – A Antessala da Eternidade

Escrevo.

Mas não por vocação, entusiasmo ou esperança de ser lido. Escrevo por tédio. Ou por teimosia. Ou talvez porque o papel - este amigo de todas as horas - não tem o hábito irritante de responder.

Chamam isso de "memórias". Eu chamaria de "recibos do que não foi". Cada frase que deixo aqui é um item devolvido à loja da existência - usada, danificada, sem nota fiscal.

Já pensei em parar. Não por falta de assunto - há tédio suficiente em mim para uma enciclopédia -, mas por ausência de finalidade. O que se ganha escrevendo sobre o que não aconteceu? Sobre os silêncios? Sobre uma mulher que talvez nem tenha existido e um amor que definitivamente não durou?

E, no entanto, cá estou. Na antessala da eternidade, como quem espera um trem atrasado que talvez nem venha. Há quem vá à igreja, quem reze, quem busque iluminação em retiros espirituais. Eu fico aqui, com meu peixe morto, meus livros gastos e um lenço que fede à dúvida.

Outro dia, tentei rezar. Juro. Mas Deus parecia ocupado, ou distraído. Contei-lhe meus pecados em voz baixa, com aquela vergonha típica dos que já pecam sem convicção. Ele não respondeu. Talvez tenha cochilado. Ou talvez - e essa hipótese me consola - tenha rido.

A imagem de Deus rindo das minhas confissões me é mais tolerável que a de Deus ignorando-as.

É que, veja, leitor - se ainda restas, e se ainda tens olhos para alguém como eu -, é preciso entender: não é que eu não acredite mais na vida. É que a vida, essa gentil senhora, esqueceu-se de mim no meio do salão. Dançou com todos. Riu, girou, tropeçou nos tapetes, e quando olhou para trás... já não havia ninguém segurando sua mão.

Chamo este lugar de "antessala" porque não me sinto morto, mas tampouco vivo. Estou numa espécie de entretempo - essa zona cinzenta onde a esperança é formalidade, a fé é cortesia, e o café é sempre requentado.

A eternidade, dizem, é algo vasto, amplo, impossível de conceber. Eu discordo. A eternidade, para mim, é o que experimento todos os dias entre as oito da manhã e as oito da noite, quando nada acontece e tudo dói. E mesmo assim - veja o paradoxo -, escrevo.

Não para deixar um legado. Quem me herdaria?

Mas porque talvez, um dia, um leitor entediado como eu, perdido numa tarde cinzenta, encontre estas linhas e diga:

"Ah... então não fui o único."

Capítulo VI – O Último Outono

O outono chegou. Ou melhor, esgueirou-se.

Aqui, nesta casa onde até o tempo entra sem bater, as folhas secas não fazem estardalhaço. Elas se acumulam no jardim, como lembranças que já não incomodam, mas também não partem. O vento as revolve de vez em quando, como se tentasse reorganizar o que já não tem ordem.

Gosto do outono - sempre gostei. Há nele uma modéstia que me conforta. Diferente do verão, que se exibe, ou da primavera, que promete demais. O outono apenas se despede. E faz isso com classe.

Foi numa tarde dessas, de céu sem ambição, que percebi que era hora. Não da morte - esta, se tivesse um pingo de respeito, já teria vindo -, mas do fim do manuscrito. De tudo que podia ser dito, pouco disse. E do que não podia, insinuei.

Pensei em deixar um aviso: "Não me procurem." Mas seria vaidade. Para ser procurado, é preciso ter feito falta em vida - o que nunca foi meu caso. Deixarei apenas o que escrevi, sem dedicatória, sem bilhete, sem assinatura. As palavras bastam, ou pelo menos ocupam espaço.

Ontem passei o dedo na lombada dos livros. Estavam empoeirados, claro. Como eu. Fiquei ali, parado, esperando uma tosse ou um suspiro. Nada. O silêncio, sempre fiel, permaneceu firme, como um velho amigo que já cansou de consolar.

Abri a janela, olhei a rua. Um casal de jovens ria alto, e confesso que os invejei por um segundo - não pela juventude, mas pela coragem de achar que tudo ainda pode dar certo. A juventude é feita disso: de esperança sem garantias. E de ilusões com desconto.

Hoje acordei cedo. Fiz café fraco e olhei o peixe morto. Ele segue ali, flutuando na sua

eternidade portátil. Se Deus tiver senso de humor, vai me oferecer um aquário igual. Sem fundo. Sem tampo. Apenas água e suspensão.

Deixei a pena. Fechei o caderno.

Talvez volte amanhã, ou talvez não. Já não me importo. O importante é que, por hoje, terminei.

Se alguém um dia ler estas palavras e se perguntar o que houve comigo, que imagine o que quiser. Morri? Dormi? Fugi? Tornei-me o peixe?

A resposta é simples:

**apodreci em silêncio.**

Capítulo VII – Natal de Vidro

Natal. Palavra que me chega aos ouvidos com o tilintar das louças que nunca usei. Há algo de artificialmente doce nesse tempo - como sobremesa servida após um banquete que já nos enjoou. E, ainda assim, confesso: ele me fere. De leve, mas fere. Porque no fundo - bem no fundo - alguma parte remota em mim ainda responde aos sinos.

Os enfeites surgem nas janelas vizinhas, como se as casas se fantasiassem de alegria. Pisca-piscas se acendem em árvores artificiais, e mesmo o Napoleão de Dona Emília parece latir com certa solenidade. Nas lojas, crianças puxam seus pais por entre vitrines e desejos - e eu, do lado de cá da vidraça, assisto.

Assisto e sinto - pela primeira vez em muito tempo - a presença incômoda de uma criança dentro de mim. Uma criança chorosa. Não a de esperança. Não a do encantamento. Mas a da saudade. Aquela que entende que perdeu algo, sem nunca saber exatamente o quê. Talvez o cheiro da rabanada da avó. Talvez o som dos talheres batendo na mesa cheia. Talvez a presença de alguém que ria sem saber que um dia deixaria de rir.

As músicas natalinas, com seus sinos alegres e corais falsamente angelicais, ressoam pela rua como provocações sentimentais. Tento resistir. Tento. Mas elas me alcançam, atravessam os tijolos da casa e batem de leve na porta da memória. E a memória, traidora, abre.

Vejo-me pequeno, sentado no chão da sala, desembrulhando um presente barato com um entusiasmo que nunca mais consegui simular. Ouço vozes conhecidas, algumas já apagadas pelo tempo. A alegria era simples. Ingênua. E, exatamente por isso, irrecuperável.

Hoje, nesta antessala da eternidade, permito-me um luxo: comprei uma pequena árvore de Natal. Daquelas baratas, de arame e plástico. Decorei com luzes fracas e pendurei um único enfeite: um peixinho dourado. Cristóvão.

Talvez seja ridículo. Talvez seja belo. Talvez eu esteja, como sempre, no limite entre o riso e o pranto. Mas por um instante - um breve instante - uma fagulha de alegria acendeu-se. Fraca, tímida, nostálgica. Mas real.

E, por essa fagulha, quase acreditei que a vida ainda valia a pena.

Quase.

Posfácio – O narrador, o peixe e o silêncio

Ler Outonos de Ninguém é entrar no espírito daquilo que a literatura machadiana sempre propôs: uma conversa com o nada, uma confissão sem padre e uma ironia mais densa que o próprio drama. O protagonista desta novela não quer comover - quer incomodar. Ele incomoda porque diz o que evitamos: que a solidão pode ser uma casa, o tédio uma religião e a nostalgia, uma cicatriz que coça.

A presença do peixe morto, Cristóvão, atravessa a narrativa como símbolo da eternidade passiva: um ser que flutua em silêncio e não apodrece. A Capitulina, feita de sombra e memória, não precisa existir para doer. E o Natal, com sua última fagulha de alegria, não vem salvar - vem apenas lembrar que houve um tempo em que ainda sabíamos rir.

Essa obra, enfim, é uma carta não de suicídio, mas de sobrevivência estética. Porque há uma forma de viver mesmo depois da desistência: pela escrita.

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Jefferson Gleidson ESCRITO POR Jefferson Gleidson Escritor
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