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Escrava do Passado

Descortino meus tempos pretéritos
impressos no video-tape da memória:
sou semente germinando
no primeiro choro... esperança
depois um sonho... abstração
primeiro beijo... eternidade

Pintei inúmeras aquarelas
algumas o sofrimento desbotou
transformei-me em estereótipo
das expectativas alheias...
e as amarras do passado
tolheram meu caminhar

Sem liberdade de não ser
vítima de desditosas experiências
não pude retornar ao aconchego
das entranhas maternas
havia um mundo para vencer

O rio segue seu curso
serpenteando os sulcos da terra
e eu...
peregrino claudicando
soprando as feridas abertas
que o tempo não cicatrizou

Sem muita destreza vou seguindo
ainda escrava do passado
um adulto de infância amputada
lisonjeada por um presente promissor

Simone Moura e Mendes
(ACESSEM MEU BLOG !    www.simonemouramendes.com)

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