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Olá! Sou o Rio São Miguel

 

Wellington Silva

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Para quem não me conhece sou o Rio São Miguel, meu descobrimento data de mais de quinhentos anos. Ah! Como era bom aquele tempo, por mim passavam grandes caravelas, com mastros holandeses, franceses, espanhóis e portugueses, hoje me sinto triste, nada mais desliza sobre minhas águas, fiquei estreito, assoreado e cheio de pontes criminosas.
Naquele tempo tinham tantos peixes de tantas variedades, que por aqui existiam uns tais Sanambys, Caetés, esses pescavam e de mim tiravam seu alimento, por se alimentarem dos peixes que saíam de mim, os Sanambys eram fortes e saudáveis, isso porque diferente de hoje eu era limpo não tinha poluição, os dejetos das casas, comércios e hospitais não eram lançados sobre mim.
Em minha volta sentia a brisa das matas, das várzeas gigantes, dos capins me roçando, tudo era em minha proteção, hoje ao invés de peixe, estou cheio de pedras, areias, lixo e um pouco de ervas daninhas disfarçadas de arborização, de nada me servem.
Ah meu Deus! Será que vou viver muito tempo? Ainda sou o Rio São Miguel, ou apenas sou um córrego por onde passa esgoto?
Não sei se os filhos e netos dos que me conhecem hoje irão me conhecer amanhã, não sei se amanhã alguém irá pescar algo de mim, pois o que se pesca hoje são nada, nem sadio, se comparado com o passado. Bravos pescadores, os únicos que ainda não desistiram de mim!
Faço um apelo: Cuidem de mim, não me deixem morrer! Quando vocês cuidarem de mim eu garanto cuidar de vocês, eu garanto fornecer alimentos para vocês, eu prometo fornecer água boa para todos.

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