Poema de uma histerectomizada
Poema de uma histerectomizada que entrou e saiu do centro cirúrgico sem ver a cara da sua ginecologista.
Recebeu alta hospitalar de uma desconhecida que chegou ao seu apartamento chamando-a por outro nome.
Sentar-me-ei na banquetinha
Diante da minha Mitsubishi
Cortarei em tecido uterino
Um modelito lindamente feminino.
O barrado, ricamente trabalhado,
Com anjos barrocos de miomas aplicados.
Um fluxo!
Em cartão de fibra perineana,
Com fios pubianos bordarei:
À Doutora displicente,
Que este presente
Fique brocado em sua mente
E nunca mais menospreze
Suas pacientes
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