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Tempestade em copo d`água

Os olhos umedeceram...
As lágrimas, pequeno riacho íntimo, descem a face deixando-a triste...
Mas expondo uma beleza indescritível.

Sincera, meiga, sensível, deixeou-se levar por uma palavra sem maldade, sem crítica;
Apenas dita na hora imprópria.

Ela era assim: a mágoa guardada dentro do peito, mas clara na face e nas lágrimas.

Após algum tempo, quando veio a bonança, tudo se fez
E os lábios puderam andar sobre as águas.



LIMA, Ronaldo Pereira de Lima. Agonia Urbana. Rio de Janeiro: Litteris Ed.: Quártica, 2009.
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Comentários

IORGAMA PORCELY
IORGAMA PORCELY

Quantas vezes não fazemos tempestade em copos d’água, não é? Transformamos pequenas decepções em gigantes e assim não conseguimos enxergar a tal luz no fim do túnel, nem ver as coisas boas que podem nascer dessas decepções. Perdemos, portanto, momentos preciosos nos entregando a dor e as lágrimas, mas que poderiam ter sido melhor aproveitáveis... Quando a tempestade acaba (e ela tem de acabar, pois nada dura para sempre) e o sol brilha em meio à tormenta, vem à bonança, voltamos a sorrir e vemos tudo com mais clareza. Parabéns pelo texto! Abraços.

Ron Perlim
Ron Perlim

Iorgama, obrigado por comentar meu texto.


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