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Nós ou poesia fragmentada ou hiatos poéticos

E o dia. E a noite. E as horas.

Tudo me causa vertigem,

porque me parece haver alguma coisa de você que ainda não se foi.

E as nuvens. E os carros.

Até as buzinas alardeiam aos quatro cantos que algo se quebrou.

E sabemos que o céu é um ótimo lugar para se estender uma mensagem.

Nós.

Há tempos não usamos esse pronome.

Há tempos não sabemos mais quem é: nós.

Até os verbos já surgem no passado.

Um passado muito mais-que-perfeito.

Muito mais que pretérito.

Um passado que... perdera-se.

 

Uma ruptura se deu e não se sabe bem precisar o momento exato.

E não me pergunte com esse olhar inquisidor;

você também não saberá precisar a separação das almas.

 

O nós se fizera eu/você.

Os sonhos se partiram em pedaços de um quebra-cabeça.

Deus se encarregou de dissolver os desejos unidos em vontades singulares.

No fim das contas a culpa é sempre de uma terceira pessoa: Deus ou Destino.

 

E o dia é novo. E a noite é nova. E tenho todas as horas.

E a cama está mais espaçosa do que antes.

Mas mesmo assim não consigo dormir. 

Me falta um eu que se foi e é você.

 

Penélope SS

11-10-10   12h:19

ESCRITO POR AdrianoRockSilva 1.08 M leituras
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