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Encontros

 

Quando há interesses entre duas pessoas, ambas preferem a discrição como aliada. Tentam disfarçar o óbvio para não estragar a surpresa.

Olhar é o principal meio de comunicação. O sorriso a certeza da receptividade.

A mulher costuma não sair de casa sem antes combinar o guarda-roupa inteiro. Para o secador lhe falta o fôlego na missão de atingir o melhor penteado.

Ela não se produz por acaso. Segue a risca cada parte do ritual. Muitas vezes, sofre por antecipação.

Costuma projetar o futuro no primeiro encontro. O antes, vem depois.

Nem sempre o homem terá uma segunda chance para causar a “primeira boa impressão”.

Não combina ter tudo milimetricamente arranjado. Ser surpreendida a excita.

Ao homem não cabe rituais. Veste-se como lhe convém. Não vacila no penteado. Capricha no perfume para atrair a fêmea cobiçada.

Objetividade. Não importa. Objetividade.

A lei da atração não aceita rodeios.

Muitos desacreditam nessa história de amor à primeira vista, pois se tivessem olhado só mais uma vez…

O amor não é promoção, muito menos democrático. Não é senso de medida ou pura matemática. Às vezes segue a premissa de que o pior é o melhor. É o que atrai mais. O correto causa repulsa. Nada supera a sensação do perigo.

Olhares se cruzam e se entrelaçam, sequestra sem direito fiança. O que resta é apenas entregar-se a ele.

Uma boa dose de uma conversa interessante é indispensável. O corpo fala por si só. Os olhos convidam para a felicidade, o sorriso confirma a presença.

E quando tudo acabar, o telefonema corresponde à sonoplastia da saudade.

Uma conversa exemplar e inédita em que os dois somente escutam. Uma troca de respiros, jogo de vento, intercâmbio de palpitações.

Após uma eternidade da ausência absoluta de som, chega o momento de cada um seguir o seu rumo.

- Boa noite.

- Boa noite…

- Você ainda está aí?

- Sim.

- Eu não consigo desligar.

- Também não. Desliga você.

- Não consigo. Você desliga.

- Você.

- Você…

Ligam sem motivo, para não dizer nada… Nada com nada.

O pior inevitavelmente surge. Segue o receio de desligar sem ofender.

Se não arriscar, nunca poderão saber como teria sido.

Como diz Carpinejar: “O amor é uma coragem cheia de pequenas covardias”.

 

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ESCRITO POR Thayron Sabino 39 K leituras
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