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a felicidade de Clarice (A sempre enigmática Clarice Lispector)

 

 

Abriu os olhos e aprovou o que viu.

Porque, durante a noite, o que mais temia sentiu.

Sentiu o vento bater na janela e as lembranças

que lhe saltaram os olhos

eram de fazer chorar o mais forte vivente.

 

Levantou-se. Caminhou vagarosamente até o local de onde fluía todo o ventar.

Debruçou-se sobre a saída da janela e

procurou algo, mas, nada encontrando, decidiu,

definitivamente, apagar da memória aqueles tristes e saudosos pensamentos.

 

Porém ao voltar à cama, já fria, sentiu um vulto cercar-lhe,

aquecendo-lhe a alma.

Dormiu. E, quando abriu os olhos, sentiu que corria

num canto do rosto uma singela e salgada lágrima.

Era a aprovação que tanto esperava.

 

Então, levantou, caminhou até a janela,

abriu-a, suspirou forte,

e dos pulmões veio o nome mais belo de todos: felicidade.

 

Penélope SS

19/10/07  18h:49

ESCRITO POR AdrianoRockSilva 1.08 M leituras
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