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Outra vez amanheceu...

Outra vez amanheceu...

E quem estava à procura de abrigo

continua a correr... a sofrer...

Não encontra.

Dessa vez o prazer não aqueceu,

e a chama que ardia enfraqueceu.

As mãos estão pálidas

os lábios: cada vez mais brancos.

As lágrimas. O pranto.

O grito. O espanto.

Não. Na floresta só há silêncio

e o silêncio nessas horas não traz socorro.

As mãos gesticulam

fazem movimentos rápidos e desesperados,

e clamam: — Alguém aí fora, me liberte!

                  — Alguém aqui dentro, me repila!

Ninguém. Ninguém quer se arriscar.

— Tenha calma agora

O fim já esteve mais longe

Logo tudo isso vai terminar.

O sangue em você é pouco e finito

e sinto que em mim também.

Então, acho que não há mais nada a fazer:

O abraço é a chave que leva ao outro lado.

"A luz da vida vibrante" se foi.

"O desenho, o perfume, o delírio."

Adeus...

A Deus...

Eu, mais uma vez, não sei pra onde vou...

 

Penélope SS

1/03/06    11h:15

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