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A prostituta e o poeta

O poeta se prostitui quando se oferece

em meio a tantos outros

pendurados numa vitrina qualquer,

dentro de uma linda loja

com seu ar-condicionado cheirando a cama limpa de motel.

 

O poeta oferece suas palavras a quem pagar mais,

assim como a prostituta oferece seu corpo,

suas entranhas a quem lhe chegar primeiro,

a quem lhe matar a fome e a sede.

 

O poeta, assim como a meretriz,

não tem a menor vergonha de se expor,

mostrar-se aos muitos, despir-se de todo o pejo,

toda a candura.

 

Cabe à rameira esforçar-se com todo vigor

a fim de inebriar seu pagante, como cabe ao poeta

manter seu leitor apetecido por suas metáforas,

embriagado com suas rimas tão ricas e fartas.

 

O sofrimento poético é intenso

como uma trepada amarga com corpo desconhecido,

mas o prazer de vencer a dor

e expor o seu mais dilacerando brilho

os torna tão fonte e imensuravelmente vivos.

 

Penélope SS

22-10-11  01h:04

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