Tema Acessibilidade

Cana de Açucar

 

 

 

A foice que decepa a cana

Deixa em mim as cicatrizes.

O meu patrão deitado em berço esplêndido

Quando pisa o chão com botina,

Pisa onde deitei raízes,

Onde forrei minha esteira,

Pra descansar meu corpo moído

Da minha dura rotina.

Que tal qual a cana ficou um bagaço.

Pro meu patrão o mel,

Mas, pra mim, melaço.

Meu trabalho

A vida do meu patrão adoçou

Enquanto a minha, amargou.

 

No escorrer dos dias

Pra esquecer da dor

E ter umas alegrias,

Eu bebi cachaça

E acabei em cana.

E fui amassado pelas autoridades,

Enquadrado na marginalidade

Em que já vivia.

Eu fui remoído

Já no meu bagaço

De cana.

 

Fim de semana,

Meu patrão descansa seu cansaço

Feito de pensar exaustivo.

Pensa logo existe e está vivo.

E no meu cansaço de viver sem reclamar,

Penso no meu existir

Lamentando o meu pensar.

 

Acho mesmo que essa vida

É um engenho

Em que uns são duros como aço,

Outros duros como cana,

Uns nasceram pra ser bacana,

Outros pra ser bagaço.

 

Mas seja qual for a peleja,

Essa vida tem beleza

E se necessário for

Redobrar o desempenho,

Castigar no meu labor

E fazer mais mel de engenho,

Cachaça e rapadura,

Pois vida assim tão dura

Necessita mais amor,

Mais carinho,

Mais cuidado,

Então pelo meu caminho

Mesmo que amassado

Quero dar mais sabor

A quem labuta ao meu lado.

 

*Visite a nossa fan page no facebook: Click aqui!

 

(Emanuel Galvão - Livro Flor Atrevida - Quadrioffice/2007)

ESCRITO POR Emanuel Galvão 84 K leituras
32 textos
Attachment Image
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir e executar a obra, desde que atribua o devido crédito ao autor original. É proibido utilizá-la para fins comerciais ou criar obras derivadas.
2 K leituras
Classificação de conteúdo:
Indefinido

Publicado
Denunciar conteúdo
Este conteúdo foi publicado por um autor da plataforma e é de sua responsabilidade. Ele deve respeitar a Política de Conteúdo do Portal Escritores. Caso identifique alguma violação, utilize o Fale Conosco.

Comentários


Mais textos deste autor

Poesias

Em Pessoa

  Revesti minha poesia De verbetes reluzentes Que brilhem fundo n'almas E as iluminem inteiramente, Mas a canção que... [Continue lendo.]
Publicado
Poesias

Eclipse

Sou tímida, sou nua Sou pálida, sou tua Mas que tristeza Teres nascido sol E eu, ao invés de estrela Ter nascido lua.... [Continue lendo.]
Publicado
Poesias

Homem

  Bicho esquisito, esse homem Mais parece um menino Leva a vida sorrindo Pintando o sete, mil cores Fazendo... [Continue lendo.]
Publicado