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Filho do Acaso

Sou criança pobre
sem falcon,sem Barbie
sem céu, sem chão
num corpo desalmado
enjaulado na solidão

Caminho pelas ruas tortas
de casas sem tetos, sem portas
sem sistema de amarração
edificadas com papelão

Vago pelas horas ocas
alvejado pelo descaso
como filho do acaso
na ignorância da sorte
que só completa a morte

Sigo pela via da contramão
comendo o pão dormido
da farta bandeja de prata
dos que se dizem meus irmãos

Simone Moura e Mendes

www.simonemouramendes.com

ESCRITO POR Simone Moura e Mendes 288 K leituras
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