Meu nobre ancião (tributo a Carlos Moliterno)
Meu nobre ancião
de tez sulcada, corpo arqueado,
respiração arquejante...
a falência de teus órgãos,
fatigados de tanta labuta,
pressupõe chegada a tua hora
Certamente a terra cobrirá
o invólucro de tua alma
não sepultará as marcas
que nos deixaste na memória
Não deixarás saudade
tua poesia embalará os corações
que continuarem pulsando
e teus descendentes,
daqui a muitos anos,
continuarão deleitando-se
nos frutos de tua fecunda imaginação
Os anjos querem-te levar...
lá no céu,
assim como cá na Terra,
também há carência de poeta
serás mais uma estrela a brilhar
Meu nobre ancião
heróica foi tua caminhada
se tens mesmo que partir
que partas
e leva contigo
um pouquinho de todos nós
Simone Moura e Mendes
(Poesia do Livro Incógnita,1997)
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