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Roto e esfarrapado

 

 

Caminhando em chão de pedregulhos

As árvores desse caminho estão

Todas desfolhadas, cinzentas – tristes -,

Seus partos ficaram para depois.

 

Sei que tudo ruma como roda gigante,

E é isso que me perturba:

Esse vai-e-vem-e-volta constante e interminável

Como um pesadelo ou uma

Dor lancinante crônica,

Que à noite atordoa e

Pelo dia entorpece.

 

Há mais pressa que calma na vida,

Por isso esse desassossego,

Esse afã de andar descalços

Sobre o asfalto quente

 

Não há fuga. A porta está aberta,

Mas para qualquer direção que se olhe,

Há uma brasa acesa e há batatas tostando,

E não há meios de se safar,

Pois, inevitável e desgraçadamente,

Sentimos fome...

 

Eu sei que os meus filhos ainda são crianças

Eu sei que os meus alunos não têm culpa...

No entanto, deles será esse depois:

                                               Um mar de pedaços

                                               Um céu de casamatas

 

Vejo já no cajueiro apenas um

Maturi.  

ESCRITO POR Marlon Silva 16 K leituras
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