Roto e esfarrapado
Caminhando em chão de pedregulhos
As árvores desse caminho estão
Todas desfolhadas, cinzentas – tristes -,
Seus partos ficaram para depois.
Sei que tudo ruma como roda gigante,
E é isso que me perturba:
Esse vai-e-vem-e-volta constante e interminável
Como um pesadelo ou uma
Dor lancinante crônica,
Que à noite atordoa e
Pelo dia entorpece.
Há mais pressa que calma na vida,
Por isso esse desassossego,
Esse afã de andar descalços
Sobre o asfalto quente
Não há fuga. A porta está aberta,
Mas para qualquer direção que se olhe,
Há uma brasa acesa e há batatas tostando,
E não há meios de se safar,
Pois, inevitável e desgraçadamente,
Sentimos fome...
Eu sei que os meus filhos ainda são crianças
Eu sei que os meus alunos não têm culpa...
No entanto, deles será esse depois:
Um mar de pedaços
Um céu de casamatas
Vejo já no cajueiro apenas um
Maturi.
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