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Seu Sim

            Por muitas vezes o seu não esconde pretensões de um sim, o que me deixa confusa quanto a clareza de suas palavras.

            Se por instantes acredito enxergar o que seus olhos vêem, logo em seguida aparece um olhar convicto para frente camuflado de olhar inquietante para os lados, trazendo-me a dura certeza de que nada vejo do que pensei que vira.

            Enquanto durmo, meus fantasmas aterrorizam meus sonhos, onde neles, você é claro nos “sins” ou “nãos”. Quando acordo, quero esquecer a realidade inexistente do sonho, porque ela empiricamente não existe, embora me traga mais certeza. Quero me apegar ao que meus sentidos vêem, negando o que meus instintos me apontam: que você esconde pretensões de sim no seu não.

          Talvez minhas assombrações noturnas me persigam nos pensamentos mais sensatos, roubando todo e qualquer vestígio de sensatez. Talvez elas estejam exorbitando a esfera do sonho e manipulando o que de fato é real: a vibração de suas palavras e seu olhar pra frente.

          Não sei por que me preocupo com a natureza dos seus dizeres e dos seus olhares. Fácil mais, seria, apegar-me ao que tenho e afastar os fantasmas que me perseguem. Mas sempre depois de um dia de sol vem a noite e volto a dormir. Logo, eles vêm.
          Noto que quando mais acho que lhe conheço, descubro que nada sei de você.



Madalena Sofia Galvão Viana

ESCRITO POR Madalena Sofia Galvão Viana 5 K leituras
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