Insônia
É a porta que abre na mais escura solidão
É a invasão dos seres noturnos
Na busca do ser esquecido
É o pássaro que canta sem ter voz
É o albatroz, que rasga o peito
Nas alucinações de Belchior
Nas contradições da lógica
É a roupa velha, reformada
A própria morte pedindo entrada
É o sol querendo dormir
O aceno escondido querendo gritar
O olhar traidor buscando o voltar
É o não esquecer querendo ser escondido
O vivido, o amado, já morrido
É a vela que queima quanto o sol nordestino
Um tino, atino vivendo nos adeuses das mãos.
Inconstantemente ir.
É o algo querendo dormir
Inconscientemente, pedindo perdão.
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