Em Preto e Branco
Em preto e branco o homem desvanece
O destino incolor o faz padecer
O seu arco-íris lhe foje aos prantos
As lágimas brancas não pode conter.
O negro da noite o vê em soluços
Seu mundo opaco não tem solução
As ondas inquietas lá dos oceanos
Na escuridão murmuram oração.
As vielas, quem dera, pintadas de rosa
As choupanas o riso amarelo emudeceu
No tronco a negra se torce em gemidos
Na solidão do ermo a rocha fendeu.
A noite a lua as sombras assustam
Lobos uivantes ao longe a correr
E na solidão dos caminhos perdidos
Vagalumes conspiram pra não amanhecer.
O sol se esconde lá no seu poente
De véu inclemete as noites se vai
Acolhe a vida em imensidão transparente
Qual gaze finíssima o mundo se faz.
Em choro a infância reclama o afago
A mão preciosa logo se contrai
A tal negação se faz tão dolorosa
Em sons e grunhidos o peito contrai.
No tocante a serpente que está a peleja
Os filhos dos homens a cova atrae.
No recôndito da natureza, as almas perdidas,
Sucumbem atônitas a armadilhas fatais.
ELENA
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