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Eu até poderia voar

Eu posso voar com os pés no chão

Estar e me fazer sair dali.

Num breve breu a meus olhos,

Voar ao longínquo mais distante

Bem por dentro de mim mesmo

E voltar para onde nunca fui

Sem saber ao menos o caminho

Eu sigo de encontro a mim

E perco-me, vejo-me bem de longe

Estou onde posso, quero e consigo estar,

Mas sou o que sou em qualquer lugar.

Nunca o mesmo, é verdade

Mas sempre eu, sentindo

Meus próprios sentimentos

E a partir deles agindo

Como se eu fora eles, mas eu mesmo

Se e somente se eu sinto, eu sou

Fora isso, eu só estou

Imitando os outros, conduta, tudo igualzinho,

Como me foi mandado com muito carinho

Quando eu só era um menininho.

Hoje eu sinto, penso, sou

E é desta forma que eu passo os dias,

Dia após dia vendo se o luar desta noite

É mais lindo que o despertar de ontem bem cedo.

Quando acordei, meio que com os olhos fechados,

Vendo o céu para ver se já era hora

De imitar os outros, pelo menos em algumas coisas

Que como não sei são iguais para todos os dias.

ESCRITO POR Leonardo Jordão 111 K leituras
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