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"SONETO DO TALVEZ"

         

Aquela que se diz feliz, por dar-se
jura de pés juntos, as juras que não fez
porque prefere a máscara e o disfarce

decidindo pelos “agora” ou os “talvez”

Pudesse, então, numa rainha transformar-se
Para que ninguém nela visse, o que não há
Seu corpo e mente, pois, ao modificar-se
Conclui absoluta, que nada mudará

Mas... o que há no fundo desse nada?
seria a mesma cantilena, endossada?

 o mesmo perfil, de voz macia e candura?

Nesses tempos trágicos e latentes
de choros, gritos e  gestos comoventes
inevitáveis,  reflexos da pseudo ternura.

ESCRITO POR RENÉ CAMBRAIA 659 K leituras
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