MARÉ DE AGOSTO
Maré de agosto, frio de julho. Lua metade, rosto cheio. Vigor nas palhas de coqueiro. O que, além do escuro, capaz de alimentar-me a alma? Fértil, imaginativo. Eu posso criar qualquer coisa. Projeto de alguém ao meu lado, projeção de vidas (passadas, futuras, queridas). Livrar-me de mim, desejo, fatiga, exposição. Quero ir até o outro lado, atravessar a correnteza e a mim. Arriscar ser pega, assaltada, levada. Atravessar esse mar de mim, encontrar Iemanjá na praia de Pajuçara.. E se voltar pra casa, terem se passado horas a fio e ninguém mais acreditar. Eu não preciso da crença alheia, a minha já está insegura o bastante.
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