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O medo de pular e cair

Quando a luz reflete no teu olhar

E vem direto a mim, e somente em mim,

Sem qualquer jeito venho a me sentir.

Teu sorriso é dádiva, a meu ver uma escolha,

Meu sentimento é uma porta trancada.

De uma janela, te olho, assustado, à espreita.

Vejo em ti várias certezas, em mim o receio;

A janela é alta, eu fico logo um tanto tonto.

Eu tenho medo do escuro, escuro longo,

A escada está quebrada, a árvore cortada.

Às vezes eu acordo no meio da noite, madrugada,

Para ver se vem coragem, essa sumiu, coitada,

Sem ao menos uma chance de dizer tudo, que nada!

O sol raia, o galo grita, a luz brilha sobre a Terra,

Meus dias se passam cada vez mais curtos.

Cada dia menor, e ao mesmo tempo menos dias.

E olho para baixo, lá de cima da janela:

Até que vale a pena cair, mesmo que sem querer,

Sem jeito ou sem a mínima chance sequer

De chegar ao chão inteiro, num momento qualquer,

Ou mesmo de me esborrachar e depois me reconstruir.

Eu simplesmente tenho medo de existir, para mim

Ocultos segredos antigos, pensamentos modernos

Sobre o mundo, sobre a vida e o que mais possa haver,

Descobrir se são verdade também tenho medo de saber.

Nem a dor me toca mais, me reconstrua talvez

Um ser melhor e mais digno de te ver

Mesmo assim eu sei que não pulo, eu sei...

ESCRITO POR Leonardo Jordão 111 K leituras
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