Com lágrimas
Amanheceu, fazia frio lá fora. Acordou, mas não quis levantar. Chorou, porém não fez questão de enxugar as lágrimas. O dia clareava a janela envidraçada, era um dia como outro qualquer, mas não qualquer dia. Estava tudo sereno, os pássaros faziam-se despertadores, as pessoas colocavam suas máscaras para irem as ruas, os cegos procuravam suas bengalas, ele continuava deitado, não quis colocar máscaras aquele dia, preferia lágrimas a mentiras. Rolou, virou-se, debruçou-se, tentou dormir. Não conseguiu. Era tarde demais para fechar os olhos. Enfim levantou-se, foi até a cozinha, descobriu que já passava das dez e que não teria como chegar ao trabalho, melhor assim. A geladeira foi aberta, um gole de água tomado. Pareceu que aquele dia seria novamente como outro qualquer, não foi. Suas pernas acostumados com a rotina seguiram para o banheiro, olhando-se no espelho não se reconheceu, onde estão meus olhos flamejantes? - Perguntou-se inocente - E minha barba? Foi feita ontem, por que está nesse estado? - Ele tentava enteder. Que terrível missão teve a consiência, dizer ao moço que aquela imagem de ressaca era como ele realmente era, sem máscaras. Lá estava ele, entre lágrimas, mas sem mentiras, foi o que fez toda diferença.
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