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Última Carta

 

É-me difícil escrever-te com ternura

Movido assim por desgastada saudade

Culpando talvez a desventura

De tê-la protegido da verdade

 

Untei teus lábios com adocicada saliva

E pus cautela nas mãos despudoradas

Que promoveram desordens lascivas

Nos seios de tantas outras namoradas

 

Quisera novamente envolver-me em teu leito

Lamber-te o umbigo, cravar-te os dentes

Mas, é cruel fingir que arde ainda no peito

 

A chama, o fogo dos apetites indecentes

Com o desejo um passo à frente do remorso

Amei-te no leito, mas no peito, já não o posso.

 

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ESCRITO POR Emanuel Galvão 84 K leituras
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