UMA BUSCA
Procuro cacos de sossego.
Me corto em vidros de vida e vidraça.
Odeio não conhecer a tranquilidade.
Essa me foi extinta em tinta.
Hoje a tarde.
Meu silêncio incomoda aos gritos.
Grito para não morder. Como o cão que apenas ladra.
Não me imagino no fim dessa estrada.
Quero não chegar antes.
Enxergo belezas falsificadas.
Bem feito pra mim, quem manda usar óculos?
Um dia irei cortar as paredes e me meterei dentro de casca de árvores petrificadas.
Só assim me sentirei vivo novamente.
Assim como nunca fui.
Nunca serei.
Cravei minhas unhas em coisas palpáveis.
Me dei mal de novo.
Me dão mal.
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