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Indiazinha

Nem todos os aborrecimentos da vida
são para ser vividos
Tampouco as causas das angustias
e as fadigas do tempo
são para ser vividos
Busca-se no mar
a solução molhada de uma noite fria
que nas friezas da vida
o buscar daquilo que nos transcende
é algo fadigante
outrora benfeitora de nossos quereres
que transbordam como onda
em nossos pés secos e rachados
de frente para o grande mar do tempo
Nem nas aldeias onde tu vives
nada que se passe pelo o tempo
mantêm-se - tudo cai
E é do cair na vida
que nossos cocas fazem o melhor sentido
sobreposto em nossas cabeças
pregadas de ideologias
e fajutices de uma realidade
mal compreendida
de que ela mesma
é apenas o outro lado do espelho
no qual não enxergamos
E do mundo queremos ver o mundo
mesmo sem saber o próprio
Deixamos apenas que o tempo
nos falem e de que tudo é ele quem tem
Mas sem o mínimo esforço
de vontade quase nem abrimos
a porta de nossas existência
e pensamos: o que será?
E todos os dedos se emborcam
no travesseiro noturno
e nos miados dos gatos da noite
minha mente busca arrodeios
no sentido de ser
no sentido de ir e vir
no sentido de amar e chorar
no sentido daquilo que iremos
e ficaremos suspensos
no sentido da dor do tempo
no qual devemos à superação das angustias
e nas mazurcas da vida
Pois a vida se resulta naquilo
que conduzimos no tempo
e o trabalhar de si nas questões
abstratas e complexasque impomos em nossas caixas de segredos
para lá do anoitecer
Deveria ser menos complexo
o sentido de ser para si
mas o tempo rasga em nossas peles
a vontade da realidade
cuspida e real
e dela apenas tiramos uma parte mixuruca
daquilo deveria ser tirado por inteiro
e nem descrevemos em papeis de seda
nossas vidas necessitadas de visão
água e um pouco de comida
comida servida com pratos
pratos que foram lavados
com nosso modo de superar-se
Nunca vi gente amando
queria saber como é amar
e viver para além
daquilo que chamamos de enfermidade
e das causas primeiras
que outrora são mal despejadas
em nossas vidas cotidianas e barulhentas
Não sofro do mal que é sofrer
Sou fugida do século
e minhas obras no tempo me revelam
a qual postura tracei nas linhas
do mundo o olhar sincero
que de página em página
o tempo me pergunta:
para onde andas, Indiazinha?

ESCRITO POR Itamar Firmino Lima 1 K leituras
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