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It's a Match



Era o que tava na notificação no celular dele, naquele sábado ensolarado vestido de ressaca. A noite passada foi pesada.
Loira, olhos claros. Além das 4 fotos bem escolhidas outra coisa o chamou a atenção: 74 interesses em comum.
SETENTA E QUATRO. Eram praticamente alma gêmea, se isso realmente existisse.
Música, filme, time, humor, tudo era igual entre os dois.
Iniciaram um pequeno diálogo, usavam as mesmas técnicas de conquista, demoravam a responder, mesmo visualizando as mensagens no mesmo instante.
Trocaram telefone e algumas mensagens naquele dia.
Marcaram um encontro, desses que tão mais pra trombada, ela se arrumou, comentou com uma amiga que ia encontrar um cara que combinava muito, por isso o nervosismo.
Ele, apesar de usar esse tal aplicativo há tempos nunca tinha saído do ambiente virtual.
Colocou o jeans surrado, a camisa preta de sempre e partiu pra o barzinho que marcaram. Território aparentemente neutro. Errado. Ele conhecia todos os garçons, já tinha praticado todos os vexames possíveis em cada m² daquele ambiente.
Ela vestiu o vestidinho da marca carioca do momento que vem lá da fazenda. Reconheceu o bar ao chegar, era a menina mais estilosa de todas as mesas.
Se encontraram na porta, dois beijinhos, formalmente apresentados.
Conversaram entre um chopp e outro. O mesmo jeito de pedir tira-gosto, sempre os mais estranhos, o mesmo jeito de chamar o garçom, o mesmo intervalo de tempo entre o inicio de uma pergunta e a resposta seguida de um sorriso sincero.
Se conheciam demais.
E ele foi o primeiro a notar isso. Enquanto ela falava sobre o sonho de largar tudo e fazer um curso de cinema na França ele pensava: eu também penso nessa porra, não pode dar certo, quem vai fazer o papel de chato? quem vai pagar a conta da energia? e quem vai ao shopping num dia lindo de domingo?
Ele relutou e não conseguiu evitar.
A beijou. Um beijo diferente. Se apertaram como duas crianças no Jardim II, em meio a olhares atravessados de todo bar.

Curtiram. O momento, a noite, a manhã seguinte.
E foi só isso.

Eram iguais demais pra permanecerem juntos.
Hoje em dia, de vez em quando ainda dão um passeio no jardim de infância.
Mas sempre toca a sineta, porque o recreio não pode durar pra sempre. 

ESCRITO POR Lucas Rodrigues 1 K leituras
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