Origens dos desejos
Por entre os galhos de uma frondosa árvore
eles se equilibram
E agarrados ao musgo verde e liso
Avançam copa acima.
Esbaforidos e tensos, alcançam seus desejos.
Aproximam-se lentamente.
Seus olhos brilham diante do que veem.
Um deles ergue o braço
E toca delicadamente naquele fruto maduro.
Sente sua textura, seu cheiro, seus detalhes.
Puxa-o impetuosamente.
As glândulas salivares logo se manifestam.
O pomo de adão se movimenta.
Os lábios, os dentes, a língua, o doce sabor.
Tudo é deglutido num desejo latente e intenso.
Tudo.
O desejo de obter o que é alheio
O de fazer justiça
O de matar, o de salvar...
Tudo.
Uns foram à lua, outros a Galápagos.
Venceram grandes batalhas,
construíram grandes monumentos.
Choraram e fizeram chorar.
Desejaram e conseguiram.
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