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Conto: Era uma vez carnaval

                        

 

 

O carnaval para ele começou muito bom. Os blocos saindo na rua e ele acompanhando todos. Sua alegria era contagiante. Interessante sua animação e disposição. Para ele sol e chuva eram a mesma coisa. Nada o fazia desanimar.

Ele brincava, pulava como se não houvesse mais nada a fazer. As pessoas até riam de suas loucuras. Momentos de pura descontração. A cada bebida ingerida ao invés de embriagar – se era combustível da sua alegria.

Era já quarta – feira de cinzas e ele saira no último bloco e a ressaca ainda passava longe de si. Ele queria era aproveitar. Tudo estava muito bom, mas algo inacreditável acontece: para seu desespero, sua mulher vai busca – lo, e sob tapas e vários palavrões acabara ali seus festejos carnavalescos. E como se não bastasse, ao chegar em casa o dono da pequena casa que alugara estava ali para receber o dinheiro do aluguel . Pior do que isto será que poderia ficar?

Ele inventa uma desculpa e o homem decide voltar no outro dia. O nosso carnavalesco toma um banho e fica alguns minutos ouvindo sua mulher brigar e reclamar com ele pelo  que havia acontecido.

Ele calado e como se estivesse reconhecendo seu erro não profere uma só palavra. Decide dormir. No outro dia, acorda cedo, toma apenas uma xícara de café sem açúcar, coloca sua pasta debaixo do braço e vai à luta vender planos funerários, pois segundo ele :  “o ano só começa  quando o carnaval termina.”

 

Por Val Marks

Escritor

Pilar, 12 de fevereiro de 2018.

 

 

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