Tenho medo
Tenho medo, bom senhor!
Medo de tudo o que me rodeia
Do que escurece minha vista, do que me candeia.
Medo de ser insuficiente, de não saber tecer minha teia.
Medo de saber demais, medo de saber de menos
Medo de falar demais, medo de falar de menos
E me sufocar em minhas palavras enquanto bebendo
Pois sentimento é como uma dívida
Não sabes como pagar, mas é perigoso ficar devendo.
Se eu tivesse a coragem, bom senhor
Que tu achas que tenho
Não teria fugido, não teria arquivado meus sentimentos
Teria ficado neste lugar, abraçado o meu alento
Teria chorado com ele tudo o que há em meu peito
Teria cortado qualquer um, menos a mim
Teria chorado o tempo que perdi
Teria tentado entender o meu próprio conceito.
Tenho medo, senhora!
Medo da outra hora
Que há de chegar
Medo da noite, medo da aurora
Medo do coelho, medo da cobra
Medo do que morreu e do que vai nascer
Medo de tudo!
Medo do que foi e do que há de ser
Medo de mim e medo de você
Coragem é aquilo que um dia eu hei de ter.
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