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Professores de Língua materna, sim! Fiscais da língua, jamais!

A reverência a uma língua estática, imutável está ligada à normatividade da gramática tradicional é oriunda da Grécia Antiga. No entanto, a linguística moderna nos impele abandonar a velha postura de “vigilantes da língua escrita”- especialmente a formal. Para outra, onde tenhamos como pratica pedagógica a educação linguística, promovendo cidadania, capital cultural e protagonismo juvenil , oportunizando o exercício da plena cidadania dos educandos.
Os novos achados linguísticos modernos prioriza a língua “viva”, ou seja, a língua falada no centro dos estudos em relação à escrita. Esta última, sempre pertenceu aos os abastados da sociedade, e aos escribas que serviam, exclusivamente, a estes registrando suas vidas e seus negócios.
Numa pátria onde a língua é o fosso entre o dever e o gozo dos direitos, estando sempre sua vernaculidade à serviço dos que podem mandar e aprisionando os que obedecem a um destino cheios de perversidade, e ainda são culpados pelo não sucesso da nação!
O iletrismo linguístico (conhecimento da ciência Linguística) de grande parte dos educadores, presente em um desfile cívico ao visualizar um cartaz, deixando explicita a “noção folclórica de erro”( Bagno2001).

Comentários de extremas ojerizas foram delatados: - “ um erro de português gritante e inadmissível”! Diziam uns para os outros... Tal situação  deixou-me inquieta! Pois, todos em seu íntimo fiscalizador quer saber o culpado por tamanha barbaridade, e quem será o “assassino da língua portuguesa”? ... Devendo, logo, ser justiçado, por aqueles que veneram as velhas normas “dramáticas”, estufando o peito seres beletristas!

Analisando a comunidade formada por analfabetos, semianalfabetos e os que mesmo tiveram acesso a escola, usam -FOI (terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo), em substituição - FUI ( Primeira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo). E por adquirir tal habilidade de maneira natural, sem necessitar de treinamento especial, transpassam as barreiras da formalidade, porquanto não há homogeneidade em uma comunidade.
Desta forma, o cartaz expressou a língua falada de seu povo! Dessa maneira, não há erros, faltou à adequação linguística ao contexto sociocultural. Logo, a variação linguística é inerente a qualquer língua do mundo! E, esta nos exorta a uma nova postura de educadores que promovem a democracia linguística através do seu ser, viver e principalmente de sua prática pedagógica dentro e fora da sala de aula.
Sejamos professores de Língua materna, sim! Fiscais de língua, jamais!




ESCRITO POR Maria Alice Santos 108 K leituras
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