Orgulho
Aprendi tudo do nada
quando me vi mergulhado –
néscio e ignaro que sou –,
nesta triste madrugada,
na inutilidade desse
conhecimento estragado.
Aprendi tudo do nada
quando me vi embriagado –
pobre de espírito que sou – a
o fazer gente humilhada
meu vizinho, minha vitória
cor de sangue imolado.
Aprendi tudo do nada
quando me vi mascarado –
velado teatro que sou –,
diante da gente iludida,
sabendo – do meu abismo –
que eu era o mais enganado.
Aprendi tudo do nada
ao ver-me verme orgulhado –
tolo, gentio (esses sou) –
da própria seiva sugada
pelo pó do próprio nada
cheio da vida esvaziada.
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