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O INÍCIO DO CONSUMO DA ÁGUA HUMANA E DO SANEAMENTO DO MUNICÍPIO DE SÃO MIGUEL DOS CAMPOS - ALAGOAS

O INÍCIO DO CONSUMO DA ÁGUA HUMANO E DO SANEAMENTO DO MUNICÍPIO DE SÃO MIGUEL DOS CAMPOS – ALAGOAS.

Quando a vila de São Miguel passou à condição de cidade no dia 18 de junho de 1864, começaram a surgir no município as primeiras residências, casas, sobrados e casarões.
Neste tempo, ainda não havia água encanada no município, os moradores supriam as suas casas com água de cacimba e com água retirada do rio São Miguel, conforme relatos dos moradores antigos da cidade.
No SAAE, existem dois registros que afirmam que o consumo da água humana iniciou-se no município no século XX. O primeiro registro, relata que o abastecimento da água humana para as casas dos moradores, teve início na gestão do Prefeito Intendente Salvador Apratto em 1913. O segundo, foi na administração do Prefeito Intendente Dr. Júlio Plech em 1917, os moradores abasteciam as suas casas com às águas que vinham das bicas naturais, bica do Pitu e bica Grande (bica da Rua da Bica). As águas eram transportadas pelos próprios moradores com o auxílio de carro de mão e até mesmo lata de gás ou pote de barro sobre a cabeça.
Nesta época, os sanitários das casas eram alavancado no fundo do quintal, as pessoas mais abastadas da cidade usavam no quarto um móvel por nome de Bidê, utensílio apropriado para guardar o pinico e sobre este, uma jarra com água para lavar as mãos e as partes íntimas do corpo. Já os pobres, guardavam o penico embaixo da cama.
Com a extinção de alguns engenhos, começaram a se instalar as primeiras indústrias no município, foi o caso da Companhia de Fiação e Tecidos São Miguel (Fábrica de Sebastião Ferreira) em 1913, a Companhia de Fiação e Tecidos Vera Cruz em 1925 e a Companhia de Melhoramento do Vale do Rio São Miguel em 1942, atual Usina Caeté. Os maquinários das indústrias eram alimentados com água de açudes e do rio São Miguel, através de uma bomba hidráulica.
Após a redemocratização do país em 1946, o Prefeito José de Medeiros Apratto deu uma melhorada nas bicas naturais do município, tanto na bica do Pitu como na bica Grande (Bica da Rua da Bica). Ambas, foram encarnadas com tubos de ferro, começando da nascente até a foz. É importante mencionar, que houve um período em que as águas das bicas eram transportadas para as residências através de bambus. O Prefeito José de Medeiros instalou no município diversos chafariz para suprir às necessidades das pessoas mais carentes.
Em 1957, no governo de Armando Soares foi criado um órgão na prefeitura onde várias pessoas foram contratadas pelo prefeito para levar água para a comunidade. Eles pegavam às águas nas bicas e distribuíam nas residências, através de latas de gás e de túneis, carregado por cavalos de carga e burros de carroças. Toda semana os moradores pagavam uma pequena quantia em dinheiro referente ao abastecimento da água, esse dinheiro depois era repassado para os funcionários em forma de pagamento.
Em 1962, foi criado um órgão direcionado ao tratamento da água humana em Alagoas, denominado de CASAL – Companhia de Abastecimento de Água e Saneamento do Estado de Alagoas.
Quando o prefeito Humberto Maia Alves assumiu o município em 1965, fez uma parceria com este órgão para que o mesmo administrasse o abastecimento da água e o saneamento da cidade de São Miguel dos Campos, durante este período, a CASAL iniciou o saneamento e a construção de duas estações de tratamentos de águas no município para abastecer e suprir as necessidades da população. Às águas eram provenientes das fontes, da Gruta da Tomada e da Gruta do Coringa. No decorrer da sua gestão, o prefeito Humberto Maia Alves construiu o Bairro do Paraíso e o bairro Humberto Maia Alves, conhecido também como Bairro do Terreno. Ambos foram canalizados com água da barragem.
Em 1969, na administração do prefeito Júlio Soriano Bomfim, a CASAL comprou a água da gruta da Tomada, que pertencia ao prefeito, a partir dessa data a CASAL começou a cobrar o consumo da água dos usuários. Antes, a água era de graça.
Em 1970, vários órgãos da CASAL em Alagoas foram extintos, inclusive a de São Miguel dos Campos. Segundo informações de alguns funcionários da época, ela fechou porque o dinheiro que arrecadava não dava para suprir as necessidades da empresa.
Em 15 de maio de 1971, foi criado o SAAE – Serviço Autônomo de Água e Esgoto, que passou a administrar o abastecimento da água no município, neste mesmo período, o SAAE fez um convênio com a FSESP – Fundação Serviço de Saúde Pública.
Quando o prefeito Humberto Maia Alves foi reeleito de 1973 a 1976, ele construiu mais três bairros: Bairro Nossa Senhora de Lourdes, Bairro Geraldo Sampaio, também conhecido como Bairro da Rodoviária e o Bairro Nossa Senhora de Fátima. Os dois primeiros foram canalizados com água da barragem, já o bairro de Nossa Senhora de Fátima, a água é distribuída para as residências através de poços artesanais.
Na gestão do prefeito Wellington Torres de 1983 1988, o SAAE juntamente com a prefeitura realizaram uma grande obra no município, eles trocaram todas as tubulações de esgoto da cidade, os tubos de ferro foram substituídos por tubo de PVC. A tubulação da água humana também teve o mesmo feitio.
No dia 04 de junho de 1999, o SAAE finalizou o convênio com a Fundação Serviço de Saúde Pública – FSESP e começou a gerir as suas atividades sozinho em prol da população de São Miguel dos Campos e nos trabalhos realizados pela prefeitura do município.
Nos dois governos de Nivaldo Jatobá de 1996 a 1999 e de 2001 a 2003, o SAAE em parceria com a prefeitura municipal realizaram uma das obras mais significativas do município, a construção de diversas galerias de esgoto em quase toda cidade. As galerias que mais chamaram atenção foram: A galeria do riacho do Pitu e a galeria do bairro do Paraíso.
Desde a sua fundação, que o SAAE esteve sempre do lado dos usuários, beneficiando a cidade e buscando soluções para a saúde e o bem estar do povo miguelense. Infelizmente, o sistema de água e esgoto de São Miguel dos Campos foi transferido para a concessionária privada da Águas do Sertão, órgão administrado pelo grupo CONASA.

ESCRITO POR Ernande Bezerra 1.45 M leituras
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