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Balanço de infância.

Gabriel curtia a passagem do tempo sentado numa cadeira de balanço completamente alheio aos seus próprios pensamentos. Com a cadeira reclinada ele contemplava as nuvens que surgiam por trás do morro logo à frente; estas, com a força do vento, deslocavam-se rápido para formarem uma massa densa e escura no céu. A chuva iminente prometia cair em breve, porém, muito antes que isso pudesse acontecer Gabriel fechou as pálpebras. Passado alguns segundos, seus olhos acostumaram-se com a escuridão, foi quando figuras e representações, há muito perdidas na memória, começaram a fluir diante dos seus olhos como numa tela de cinema, grande, ao fundo, quase perdidas em meio ao negrume que envolvia as suas vistas. Era um espaço coberto na frente de uma construção, a imagem que ele via, o mesmo da sua infância na casa onde nasceu; identifica-lo só foi possível por causa do balanço diante da porta de entrada da residência que, como outrora, estava amarrado no vão central da armação de madeira que sustentava o telhado da varanda. Quando ele e os irmãos brincavam de se embalar, escancaravam a porta aberta para se movimentarem com mais energia, o desejo era ir o mais alto possível na brincadeira. Se, por um lado, pouco faltava para conseguirem ver a parte superior da cobertura, por outro ameaçavam colidir com o teto dentro da casa. Juntos, ele e os irmãos competiam apaixonadamente para destacar quem seria o mais corajoso a ver e dizer o que havia sobre as telhas, no entanto, por causa justamente do teto na sala, eles eram naturalmente contidos na hora de empregar no brinquedo o vigor necessário para atingir o objetivo desejado. Essa disputa infantil jamais consagrou um campeão, mas encheu de prazer e satisfação o seu coração, e o dos seus irmãos também, quando todos ainda eram crianças. Tomado pela languidez da lembrança ele dormiu um sono breve e profundo, quando acordou, sob o pé de acerola, um arbusto com aparência de árvore ramificada, caia uma garoa que prometia molhar tudo ao redor. Aquele sonho breve e nostálgico alegrou seu coração e acariciou velhas memórias, sentiu-se bem pelo resto do dia.

ESCRITO POR Dilucas 1.63 M leituras
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