Cantos da Chuva
No véu cinzento que dança no céu,
desce a chuva, bordando o papel.
Cada gota, um segredo sutil,
que desliza sereno, gentil.
Canta o telhado, ressoa no chão,
traz memória, saudade e canção.
Perfuma a terra, desperta a raiz,
faz do silêncio um som que me diz.
É lágrima doce do mundo a cair,
lavando tristezas, regando o porvir.
No compasso da água que vem e que vai,
o tempo se rende, o peito se faz paz.
E quando se vai, deixando o frescor,
a chuva é lembrança, saudade e amor.
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