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Ruas vazias e solitárias

Vestiu a bermuda surrada e nem se deu conta. A mãe balbuciou alguma coisa, mas ele meneou a cabeça e saiu. Lá fora, as ruas estavam vazias e solitárias para os seus pés. Durante o trajeto, pensava:

— Amei-a sem limites. Doei-me sem interesses pessoais. Ocupei-me com os problemas dela, vivendo-os como se fossem meus. Mas o que me restou? Restou-me a humilhação e o cansaço.

Ao caminhar pelas ruas daquela pequena cidade não surgiu um ouvido, uma língua, um olhar terno, meigo que lhe servisse de bálsamo. A alma, movendo-se de amor e para o amor, encharcava-se de angústia.

Alguém o chama. Ele ergue a cabeça, reconhece a turma que estava na porta de um mercadinho e se dirige para lá. Parou na mesmice e nela sua integridade fora violada, a formação da sua personalidade desrespeitada, sua solidão, seu solteirismo. Então, na sua serena aparência, elástica compreensão saiu tranquilamente com o olhar voltado para o chão, a procura de algo que os seus interlocutores não veem. Apenas meditou:

— A vida neste lugar se tornou um ciclo: a violação da vida alheia, da solidão, da opinião política; além dos gracejos inconvenientes, recheados de críticas e desdém na variedade de risos. Eles são bobos. Não entendem a vida. Prendem-se demais em coisas fúteis, medíocres. São tontos! Não percebem, não vivem e; vivem dos outros, para os outros. Não ousam nem explorar as profundezas das ideias, dos pensamentos, das emoções. A maioria das pessoas vive no abismo, na escuridão das suas próprias emoções. 

Essas coisas o perturbavam, deixando-o sem direção, sem rumo.

ESCRITO POR Ron Perlim 239 K leituras
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Comentários

TEREZINHA WERSON
TEREZINHA WERSON

LINDO!AMIGO ABRAÇO.

IORGAMA PORCELY
IORGAMA PORCELY

Surpreendi-me com seu texto. Ele é perfeito... Muito bem elaborado, chega a ser 'sentível' a dor da personagem. E no final cheguei à mesma conclusão que ela: “[...]Eles são bobos. Não entendem a vida. Prendem-se demais em coisas fúteis, medíocres. São tontos! Não percebem, não vivem e; vivem dos outros, para os outros. “ Como seria bom se mais pessoas percebem essa verdade. Beijos!

Ron Perlim
Ron Perlim

Obrigado pelo comentário e sinta-se à vontade para perceber as reflexões contidas nos textos, mas tome a liberdade de comentar aqueles que você não gostar. Outros!!!!

Mariane Rodrigues
Mariane Rodrigues

Ao mesmo tempo em que tomei as dores do personagem, senti-me encorajada a dizer o mesmo: "A vida neste lugar se tornou um ciclo: a violação da vida alheia, da solidão, da opinião política; além dos gracejos inconvenientes, recheados de críticas e desdém na variedade de risos. Eles são bobos. Não entendem a vida. Prendem-se demais em coisas fúteis, medíocres. São tontos! Não percebem, não vivem e; vivem dos outros, para os outros. Não ousam nem explorar as profundezas das ideias, dos pensamentos, das emoções. A maioria das pessoas vive no abismo, na escuridão das suas próprias emoções." Mil parabéns pra você.

Ron Perlim
Ron Perlim

Querida Mariane, obrigado pelo comentário. Infelizmente algumas pessoas se alimentam da vida alheia para viverem incovenientemente, prendendo-se a vis retalhos que não estimulam a alma, não enriquecem as ideias. Abraço!


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