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Nocaute

"Beijei a lona. Fui a nocaute. Não sei se pelo direto de esquerda bem no centro do queixo ou o cruzado de direita quase ao pé do ouvido. Enquanto o mundo ao redor caminhava em seu ritmo natural, desabando em câmera lenta meu corpo foi alcançando o chão, cinematograficamente, como num filme das irmãs Wachowski. Ela não moveu um dedo sequer. Apenas sorriu. Ajeitou seus longos cachos negros por detrás da orelha esquerda, fitou seus olhos nos meus e sorriu. Minha única reação foi tentar me recompor o mais rápido possível daquele duro golpe em minhas pretensões. Mas, se não me apaixonar era o plano perfeito para me manter, sob qualquer circunstância, firme nesse caminho traçado, talvez eu já estivesse um tanto vacilante ao me permitir subir nesse ringue mais uma vez... Ainda não sei se, por essa queda, eu tenha saído vencido ou, justamente, me encontrar desguarnecido tenha me feito um vencedor."

ESCRITO POR Vitor Vilas Bôas 4 textos
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