Meu chão tem memória
Meu chão tem voz de jangadeiro,
Tem canto antigo no coqueiral,
Tem cheiro de feira e tempero,
E alma quente de litoral.
Carrego no peito a lembrança,
De um ontem que não se desfaz,
Das mãos calejadas da infância,
Do engenho, do gado, da paz.
Alagoas me ensinou a ser forte,
A dançar com o tempo e sorrir,
No bico da serra ou sul do Norte,
Cada passo é raiz a florir.
O agora pulsa em minhas veias,
Com batuques, maracatus,
Com o brilho das cores das teias
Que o povo borda à luz do xaxatus.
Entre o ontem e o hoje, eu me acho,
Nas lendas contadas à beira do mar,
No passo ligeiro do vaqueiro macho,
E no canto doce do beija-sol-luar.
Alagoas vive em meu peito aberto,
No sotaque, na fé, na emoção,
No olhar sereno e sempre desperto
Pra guardar com amor o meu chão.
Se me perguntam de onde eu venho,
Eu aponto com orgulho e dizer:
Do lugar onde o passado é um sonho
E o presente é motivo de ser.
Meu chão tem memória que grita,
Que dança, que luta, que chora e sorri.
É um livro de histórias bonitas…
Alagoas, tua alma vive em mim.
© 2025. Todos os direitos reservados ao autor. É proibido copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas ou utilizar comercialmente esta obra sem autorização expressa do autor.
Classificação de conteúdo:
Publicado
Atualizado

Comentários