Alagoas, terra que marcada pela estrelas que hoje brilham
I
Antes, era Arthur Ramos, verbo e razão,
Lendo no povo a dor e a resistência;
Hoje é Djavan, que, em doce cadência,
Traz do mar de Maceió nova canção.
Nos engenhos, o grito e a opressão
Marcaram da história a dura experiência;
Agora, o folguedo, em plena existência,
Faz dançar a vida em luz e emoção.
Reisado, pastoril, brilho em sereno,
Coco de roda em passo tão moreno,
Fanfarra que acorda a rua em fulgor;
Se antes o aço fendeu nossa trilha,
Hoje é batuque que a fé compartilha,
É riso vivo, pulsante, em louvor.
II
Antes, era o herói Zumbi altaneiro,
Erguendo a Palmares em luz e ardor;
Hoje, um Benjamim, poeta inteiro,
Transforma a saudade em verso e flor.
Se outrora o engenho fez de aço o braseiro,
Agora a festa ressurge em cor;
O ontem sombrio, tenso e certeiro,
Se torna futuro, esperança e amor.
Pastoris brilham no Natal da praça,
O boi do reisado jamais se desfaz,
O povo recorda, festeja e abraça;
E entre a memória e o sonho que traz,
Meu chão se ergue, me guia e me enlaça:
Alagoas vive em mim, sempre mais!
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