''Meu chão tem memória entre o ontem e o agora, Alagoas vive em mim.''
Meu chão tem cheiro de história, barro pisado por vozes antigas,
cantares guardados na beira do rio, nas páginas gastas de um livro macio.
O ontem não é esquecido - é raiz. É palavra que insiste, que grita,
que diz. No silêncio da caneta, no eco do tambor, Alagoas pulsa, com bravura e amor.
Entre o agora e o que já passou, sou verbo, sou verso,
sou o que restou de uma terra que escreve sem nunca cansar:
no corpo, na alma, no ato de lembrar.
Meu chão tem memória - e eu sou testemunha. Da seca, do mar, da palha,
da rima, escrevo a verdade que em mim se declina:
Alagoas não mora em mim - ela me ensina.
Tem cheiro de mata depois da chuva, de brejo, de feira, de voz que atua.
Tem riso de gente que nunca desiste, tem dor que resiste, tem fé que persiste.
Tem letra gravada na palma da mão, romance nas rodas, cordel no sertão. Tem escolas de barro,
calçadas de chão, mas o saber, meu irmão, vem do coração.
Não escrevo sozinho - sou continuação de um tempo bordado em contradição.
Da infância ao protesto, da rede ao salão, a palavra é ponte: é semente, é ação.
E se hoje o livro se abre em festa, é porque o ontem não ficou à deriva.
Ele vive em mim, feito estrada e travessia: Alagoas, minha página sempre viva.
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