Entre a Vida, a Morte e o Infinito
A morte dá sentido à vida,
como a sombra revela o contorno da luz.
Sem ela, viver seria apenas um sopro sem direção,
um eco perdido no vazio da própria existência.
É no limite do tempo que o instante ganha peso,
que o beijo se torna urgência,
que o abraço deixa de ser costume e vira eternidade comprimida.
A morte é a vírgula que impede o texto da vida de ser um ruído interminável.
Ela não é o fim - é a consciência do fim.
E é justamente por saber que o tempo se esvai
que o homem aprende a amar o agora como se fosse imortal.
Mas a eternidade...
ah, a eternidade é o mistério que consola o coração diante do abismo.
Ela é a promessa de que nada realmente se perde,
de que o que fomos ainda respira em algum lugar -
no pó das estrelas, na lembrança de quem ficou,
no ciclo silencioso da criação.
A morte dá sentido à vida,
porque nos ensina o valor de existir.
E a eternidade dá sentido à morte,
porque sussurra que tudo o que morre apenas muda de forma.
No fim, talvez viver seja apenas isso:
aceitar o efêmero sem perder a fé no infinito.
Ser chama que sabe que vai apagar,
mas que insiste em brilhar -
porque há beleza até na última centelha.
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