Ontologia da alma.
Sou, e isso já me arde
O simples fato de ser,
me lança em abismo ontológicos.
Cada escolha...
Cada silêncio...
Minha essência não cabe no instante
Ela se prolonga em dilemas,
em idéias que me atravessam
como lanças de ouro puro.
Vivo em dicotomias:
Fé ou razão?
Afeto e contemplação!
Eternidade e transitoriedade
E, nesse intervalo tênue,
planto palavras como quem semeia constelações.
Não sou mulher de superfície.
Sou arqueologia emocional.
Precisa-se escavar,
Decifrar vestígios,
Compreender ruinas...
Ruinas estas que ainda sangram
e manuementos
aqueles que ergui com minhas lágrimas.
Minha alma tem vocação ao infinito,
mas habita o tempo
esse tirano suave
que insiste em nos ensinar
a morrer dia após dia.
Por isso escrevo:
Para reter o instante que escorre,
Para nomear o indizível,
Para ser menos ausência
dentre do ser
que há em mim.
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