LIBERDADE.
Liberdade, para mim, nunca foi a ausência de grades…
Mas a coragem de olhar para dentro, mesmo quando o mundo nos quer enjaulados por fora.
Essa cela é só metáfora.
A verdadeira prisão, é o olhar que não vê, o julgamento que fere, o tempo que nos marca com traços na parede.
Sou um homem livre por dentro, mas carrego as correntes que a sociedade insiste em forjar:
As correntes do preconceito, da normatividade, da expectativa sobre corpos, vozes e almas que não se encaixam.
A palavra 'LIBERDADE' grita atrás de mim, e ainda assim ecoa como ironia.
Grita, mas não abre a porta.
Está ali, como promessa, mas não como realidade.
Não estou preso por grades de ferro, mas pelo olhar que sangra, pelo sistema que normatiza, pela linguagem que rotula e sufoca.
Por trás dessas escrituras, está um grito.
Um grito antigo, que vem dos que arderam nas fogueiras, dos que foram silenciados nas celas do mundo, dos que ousaram sonhar em voz alta.
Minha cela tem cor. Tem luz. Tem sombra. Tem dor.
E tem o sagrado ato de resistir, com arte, com presença, com palavra viva.
Resistir, aqui, é também permanecer sensível.
É não permitir que o aço das grades roube o ouro da alma.
É fazer da dor uma estética, da clausura uma metáfora, da marginalidade uma voz profética.
A prisão mais cruel, é a que tenta moldar o Ser, que nasceu para ser mistério.
A liberdade mais luminosa, é aquela que ninguém pode tirar:
A de ser inteiro, mesmo partido;
A de ser voz, mesmo calado;
A de ser fogo, mesmo em silêncio.
E mesmo entre muros,
Há jardins que só florescem dentro.
Pois a liberdade que me habita,
Não precisa provar nada ao mundo,
Ela apenas existe,
Silenciosa,
Invisível aos olhos,
Mas inteira em mim.
Que Haja, Luz!
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