O mar que virou rio
Quando comecei a amar você, era como estar num mar turbulento. Ondas gigantes, maré alta, tudo me puxando pra baixo enquanto eu tentava te alcançar. Eu te via distante e achava que precisava te salvar, mesmo que isso significasse me atropelar, me afogar, me perder.
Agora não. Agora eu entendi que amor não é emergência, não é sirene ligada, não é corrida pra resgatar ninguém. Amor é calma. É respirar. É não se afundar pra tentar levantar o outro.
Hoje eu vejo um rio calmo. Vejo você do outro lado, serena, gentil, linda, com esse olhar que parece sempre entender mais do que diz. Teu jeito de amar tem pausa, ritmo, silêncio que acolhe.
E eu estou aqui, do meu lado do rio, com algumas bagunças ainda espalhadas - mas sem pressa. Antes eu correria pra atravessar, mesmo tropeçando nas minhas próprias coisas. Agora não. Agora eu sento, arrumo o que é meu, olho pra mim antes de tentar ir até você.
E o mais bonito é perceber que o amor continua aqui. Calmo, não urgente. Presente, não desesperado. Se um dia você quiser atravessar o rio, você sabe o caminho. Mas não preciso nadar contra corrente pra te alcançar.
Eu posso amar você daqui, sem me abandonar no processo. Posso sentir com profundidade sem viver na expectativa do teu passo. Posso te admirar sem me afogar. E isso, pra mim, finalmente parece amor.
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