O cansaço que não tem nome
Existe um tipo de cansaço que não vem do corpo.
Não é falta de sono, não é excesso de trabalho.
É um cansaço que nasce em um lugar que a gente nem sabe explicar.
Ele chega de mansinho, como um estranho que se instala sem pedir licença.
E quando percebemos, já está ali - ocupando espaço na alma, nos pensamentos, na forma como enxergamos os dias.
É o cansaço do ir e vir.
Dos mesmos caminhos.
Das mesmas conversas.
Dos mesmos rostos.
É o cansaço de tentar entender as pessoas, de lidar com expectativas, de sustentar versões de si mesmo que, às vezes, nem sabemos mais se ainda somos.
É o cansaço da família, das responsabilidades, do silêncio que pesa e das palavras que não saem.
E o mais difícil é não saber onde começou.
Qual foi o primeiro dia.
Qual foi o primeiro motivo.
Em que momento o leve ficou pesado.
Só cansa.
Cansa acordar e repetir.
Cansa sentir e não saber explicar.
Cansa tentar mudar algo que parece não ter forma.
E talvez o mais frustrante seja perceber que nem tudo dá para mudar de imediato.
Que algumas coisas fazem parte do ciclo, da rotina, da vida como ela é.
Mas, mesmo no cansaço, ainda existe um fio invisível que nos mantém caminhando.
Talvez seja esperança.
Talvez seja fé.
Talvez seja apenas o desejo silencioso de que um dia esse peso encontre um nome - e, quem sabe, um descanso.
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