tenho medo de dar certo
não têm sido(ainda)dias muito fáceis, confesso.e tudo bem, mesmo as coisas não estando muito bem.
minha rotina por aqui têm sido, em sua maioria, mudar de rota e me reerguer. cansa, mas não é impossível.
nada é impossível, no fim das contas.
o impossível é justamente parar de ter tanto medo.
e eu descobri, há um tempo, confesso, que tenhomedo de dar certo.
a primeira vez que me deparei com esse conceito tão contraditório foi em uma livraria.era um livro de autoajuda e, confesso, na época meu preconceito fez com que meus olhos revirassem.
folheei algumas páginas. não me lembro ao certo o motivo por não ter concluído a leitura, mas lembro que esse conceito nunca me largou.
nem ele, nem o medo.
fiz muita terapia ao longo da vida.
é um processo que vai e vem.
sou o tipo de paciente que melhora e larga. é melhor não falar de coisas ruins quando elas parecem pequenas.
mas as dores crescem. sempre crescem.
igual o medo.
descobri, em um desses processos, que tenho uma tendência àparalisias mentais- se é que posso chamar assim.
eu gosto de caos.daquela sensação de que algo está prestes a desmoronar. gosto de fazer a força, de usar meus limites para que algo não caia.
sou quase como uma operária da minha própria vida.
gosto de resolver os problemas.
de fazer o processo mais difícil. de pensar. gosto, particularmente falando, da fase da escrita de um novo projeto. é a parte braçal da coisa. quando tudo isso passa, as coisas começam a se escalar. a parte, digamos, política começa, sabe?
então eu travo.
como se meu sistema falhasse ou não suportasse o que vem depois.
o que vem depois. esse mistério. pode dar certo. pode dar errado. dando o que for, alguma coisa vai dar e esse dar é assustador.
sou uma pessoa ansiosa. sou uma pessoa medrosa. sou uma pessoa que teme o novo - do tipo que assiste filme repetido e ouve a mesma cantora há anos.
não sei, o porquê desse medo. até sei, mas é preferível jogar a sujeira por debaixo do tapete.
o que também sei é que, certo ou errado, arriscar é um quarto escuro e sombrio.
eu sempre tive medo do escuro.sempre.
estou em uma fase complicada.
é como se olhasse para frente e visse dois caminhos. dois não, três ou quatro. dezenas. centenas.
tenho nas mãos dois livros escritos, uma pós a ser finalizada, uma saúde a ser cuidada, uma família que -proporcionalmente e mutuamente- precisa de mim, um corte de cabelo a ser feito e móveis novos a serem comprados.
mas não dá. estou parada nesse canto há dias. e não sei quando vou sair.
e eu olho para frente. para cada um desses caminhos. não sei o destino de cada um deles. não sei para onde vou. no momento, eu só quero percorrer sem deixar nada para trás,
muito menos eu.
andar na escuro,
procurando a luz.
Maria.
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