JARDINEIRO DOS MARES
JARDINEIRO DOS MARES
Airson Oliveira
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Plantei amor nos mares dos meus desejos,
sementes que eu colhi dentro do coração.
E adubei com afagos e com beijos,
E adubei com afagos e com beijos,
e com águas da ternura, eu reguei essa paixão.
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Depois de um tempo, os botões desabrocharam,
e os galhos se perderam remando na contramão.
Criou raízes nas tormentas e no tédio,
carecendo de remédio, encontrei desilusão.
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E a maresia me pegou daquele jeito,
salificando o meu peito e enferrujando a paixão.
E deu alento à tristeza e à amargura,
e louco, saí à procura de curar meu coração.
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Colhi tristeza e desabei em sofrimento,
e o outono dos mares desfolhou o meu amor.
E eu naveguei nas correntes do lamento,
e hoje só a ternura é quem cura a minha dor.
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