Barco de Pescador
Estava às margens do rio, eu e tantos outros. Enquanto a lancha passava com poucos passageiros, a brisa nos tocava. O ambulante, numa galinhota, se aproxima. A castanha de caju estava com uma boa aparência. Degustei uma delas e comprei uma porção. Ele saiu pela beirada do rio e ninguém mais comprou.
Homens retiravam orelhas-de-burro com um gadanho. Elas impediam que os clientes do bar se banhassem.
Chico, o Velho, não descansa. Cheio de dores e hematomas, segue humilhado seu curso; mas se mantém firme. Seus filhos precisam dele.
Nisso, um barco com dois jovens se aproxima e atraca na beira do rio. O último, a espiar as garotas, ficou com o leme, e o outro, próximo à proa, espiava algo no celular.
Uma garotinha saiu correndo do barraco disforme, feito de madeira e palha, foi até a canoa, comprou um pacote de algodão-doce e voltou na mesma velocidade.
Aquele barco, que andou cheio de peixes, olhou triste, demorou uns dez minutos e saiu aos poucos pela beirada à procura de clientes mirins para seu sustento.
© 2026. Todos os direitos reservados ao autor. É proibido copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas ou utilizar comercialmente esta obra sem autorização expressa do autor.
Classificação de conteúdo:
Publicado

Comentários