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AUTÔMATOS CANINOS – CANÍDEOS AUTOMÁTICOS

Hoje sentei novamente naquele frio banco. Vi, outra vez,um gato malhado; um gato preto; dois gatos – seriam os mesmos? Observei outro mais novo, filhote, branco – não era o mesmo que eu via outrora (novo demais). E eu, o mesmo velho cão, aqui estático.

Hoje tomei novamente aquele café-com-leite, não era da mesma safra, não era da mesma vaca. Vi, outra vez, "velhos bois"; "novas vacas"; novos mugidos; novos berros; antiga ladainha. Os mesmos corredores – passarela. Observei outra "perua", mais nova, ou mais velha, ou da mesma época.

E eu, o mesmo velho mudo, aqui inalterável.

Hoje fumei novamente aquele cigarro, não era a mesma fumaça, não era a mesma nicotina. Outras espirais, outras inspirações, mas é o mesmo pulmão. Talvez mais estragado, mazelado, manchado – o mesmo pulmão.

E eu, o mesmo velho bobo, aqui robotizado.

Hoje senti novamente o frio mais intenso dessa cidade. Senti na pele o eriçar-arrepiar-tremer-solidão. Senti na face o sal-lágrima-soluço-solidão.

Observei blusões e casacos sofisticados aquecendo corpos tortos, corpos eretos, esculturais. O tecido camuflando o errado, o erótico, o imoral.

E eu, o mesmo velho impotente, aqui imóvel.

Hoje vi novamente sorrisos pálidos, abraços frígidos, incentivos automáticos. Senti no ar o hálito intrigante dos bovídeos. Senti no ar o odor de algo enterrado pelos felinos.

Eu, o mesmo velho nostálgico, aqui estático. Neste frio banco branco.



ESCRITO POR Majal-San Majal-San 17 K leituras
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