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Um domingo de páscoa

Em um belo domingo de páscoa, durante um plantão noturno, mal sabia eu, aquilo que me aguardava em uma madrugada, no mínimo, inusitada no trabalho extra na central de plantão.

Certa vez, parti para mais uma jornada extra de trabalho como policial civil.

Era domingo de páscoa e, após passar o dia com a família, precisava trabalhar em um plantão de 12 horas (das 20h às 08h) na Central de Plantão Policial.

Precisaria fazer o plantão na cidade vizinha de onde eu morava e trabalhava, que fica a aproximadamente 45 km de distância.

Fui até a unidade policial em que trabalhava pegar a viatura para me dirigir ao plantão. Percebi que seria necessário abastecê-la. Então, desloquei-me até o posto de combustível.

No posto de gasolina, no momento de realizar o pagamento com o cartão da corporação, uma atendente (nova na função), levou cerca de 40 (quarenta minutos) para realizar uma operação que, habitualmente, levaria não mais que 2 minutos.

Sentique podia ser o prenúncio de um plantão complicado, mas procurei manter o otimismo e segui viajem até a cidade vizinha, onde o plantão seria realizado.

Acabei chegando alguns minutos atrasado, por conta do contratempo no posto de combustíveis. Apesar de tentar me manter entusiasmado e otimista,não fiquei muito surpreso ao chegar e ver a unidade policial fervilhando de viaturas e pessoas conduzidas em flagrante, aguardando para procedimento.

Pior que uma delegacia cheia de procedimento para ser executado é uma delegacia cheia de conduzidos por crimes irrisórios e/ou insignificantes.

Em sua maioria, os crimes praticados pelos conduzidos eram de furto. Um indivíduo havia tentado furtar alguns ovos de chocolate em um supermercado (afinal era domingo de páscoa). Outro havia furtado alguns carrinhos de Hot Wheels... todos aguardavam o procedimento juntamente com outras ocorrências.

Apesar do valor insignificante dos furtos, nenhum dos conduzidos poderia ser liberado, eis que já eram reincidentes em crimes patrimoniais. Resumindo, o ladrão de ovos de chocolate e o ladrão de carrinhos de hot wheels ficariam presos.

Não parou por aí! Durante uma revista em um dos conduzidos, ainda havia um preso que havia literalmente defecado nas calças, realmente não foi um plantão fácil. Após ele jogar suas roupas de baixo no lixo, que foi imediatamente levado para fora da unidade, o ambiente finalmente desinfetou.

Ainda durante a madrugada, recebemos outra ocorrência onde uma estranha tentou intervir em uma briga de casal. Acabou lesionada e tantava, a todo custo, fazer com que a mulher denunciasse o companheiro, contra a vontade dela. Ela não queria que ele apenas respondesse pelo crime que praticou ao agredí-la. Ela queria que ele ficasse preso e sabia que isso só ocorreria, naquele momento, se a companheira dele o denunciasse pela Lei Maria da Penha.

A companheira dele se recusou a denunciá-lo e foi embora.

Após discutir com toda a equipe policial durante a madrugada, tumultuar, esbravejar e deixar o ambiente ainda mais tenso, a mulher foi embora e, nem sequer ficou para prestar depoimento sobre a agressão que dizia ter sofrido.

Lembrei-me do personagem "Cabrito Tevez", interpretado por Alexandre Porpetone, que dizia: "Tanta producion para absolutamente nada".

Ao final do plantão, percebi que a sensação ruim causada pela demora no abastecimento da viatura não era em vão. Foi um plantão tenso e cheio de fatos inusitados, mas que, para alegria da equipe, chegou ao fim.

ESCRITO POR Fernando Souza Um texto
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