" O tempo não para"!
*QUASE TUDO*
Quase tudo em mim foi precoce.
Menos três coisas:
minha menarca,
meu primeiro beijo
e minha virgindade.
Minha menarca veio aos 13 anos e 10 meses.
Eu já sabia me cuidar.
Saí contando pra todo mundo:
virei moça.
Deixei de ser criança
para ser mulher.
Mal sabia eu
que com ela viriam
as proibições,
as opressões
e as responsabilidades.
Meu primeiro beijo foi aos 17.
Suor frio.
Nervosismo.
Quando aconteceu,
quis mais.
Achei estranho,
sem rumo,
nojenta a troca de salivas.
Mas gostoso.
Adrenalina pura.
Era bom.
Ele foi minha paixão da adolescência,
mas não passamos
de grandes amassos.
Nos afastamos.
Meses depois, ele reapareceu
com outra mulher prenha.
Carregava uma menina dele no ventre.
Eu adoeci. Não por isso.
Quase morri.
E foi ali que conheci um grande homem.
Experiente. Maduro.
Cuidou de mim.
Me apaixonei perdidamente.
Achei que era amor platônico.
Os dias, os meses, os anos
me provaram o contrário.
Oito anos.
Oito anos de rolo.
O homem que mais amei na vida.
Um chamego de longa durabilidade:
eu aqui,
ele lá, na sua terra natal.
O trabalho dele era aqui,
e tudo conspirava para nossos encontros.
Esse amor crescia
a cada milésimo de segundo.
Éramos álcool e fogo.
Quando juntos,
não dava para segurar.
Uma chama ardente
incendiava tudo ao redor.
Nossos corpos gritavam um pelo outro.
Eu chegava fria e sem jeito.
Saía quente, vermelha,
rindo à toa.
Nunca tivemos compromisso.
Ele, cobiçado pela posição,
por tudo que tinha.
Eu, apenas uma garota
imatura, medrosa e selvagem,
mas com o coração cheio de amor para dar.
Nenhum homem, nenhum lugar,
nenhum cheiro, nenhuma carícia
apagou da minha memória
seu toque, seus beijos,
seu sabor, seu desejo.
E mesmo assim, não cedi.
Não me permiti o ato.
Meu medo foi maior
que meu amor por ele.
O medo de ser penetrada
foi o cadeado.
Dos 17 aos 25,
vivi suspirando pelos braços dele.
Até o dia em que ele me magoou profundamente:
"Tu não és mais virgem.
Para de mentir.
Com quem foi?
Por que não comigo?"
Olhei bem na biloca dos olhos dele,
com os olhos cheios de lágrimas, e respondi:
"Como podes dizer que transei com outro
se meu coração é teu e só quer você?
Como podes duvidar de mim,
se é para ti que me guardo?
Como eu poderia ter me deitado com outro,
se em todos esses anos, mesmo te amando tanto,
eu não consegui?
Porque meu medo é maior que meu amor por você."
Saí destruída.
Desnorteada.
Com raiva por ter sido julgada tão mal,
mesmo depois de tantas provas.
Hoje entendo:
ele se cansou de tentar.
Por não conseguir,
me colocou contra a parede.
Dias depois, escrevi uma longa carta.
Anexei um CD
com as músicas que nos marcaram.
Pedi a uma amiga que entregasse.
Ele recebeu.
Agradeceu.
Mas a desconfiança dele me machucou tanto
que resolvi ir embora.
Assim foi nossa história:
ele, acostumado a dominar.
Eu, acostumada a não ceder.
© 2026. Todos os direitos reservados ao autor. É proibido copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas ou utilizar comercialmente esta obra sem autorização expressa do autor.
Classificação de conteúdo:
Publicado

Comentários